De um tempo a esta parte tenho percebido muitas falas, muitos pensamentos a respeito da educação em nosso País. O vandalismo , o desrespeito, a falta de compromisso e a alienação de grande parte - senão da maioria - da sociedade, é uma realidade preocupante.
Na campanha presidencial passada, um candidato falou muito sobre o assunto. Minha surpresa foi perceber que muitos e até mesmo a maior parte da imprensa nacional - escrita , falada e televisada - o denominou de candidato de uma nota só. Quando eu tinha oportunidade de conversar com alguém que brincava com o fato, perguntava: Existe alguma coisa mais importante para o progresso e sobrevivência de uma pessoa que o ensino? Se há, mostre isso para mim com argumentações sérias e válidas. O silêncio, o olhar desenxavido era sempre a resposta.
Não devemos brincar com coisa séria, nada mais sério que a educação de um indivíduo , sem a qual ele jamais será uma pessoa. Claro que não falo do direito natural, mas sim do exercício da cidadania. Hoje esse exercício ampliou-se com o conhecimento disponível sobre tantas coisas e principalmente sobre a ecologia. A pessoa humana - como agente moral que é , e não pode deixar de sê-lo - tem deveres para com a comunidade, com a família e consigo mesmo.Quando deixamos de cumprir nosso dever, estamos prejudicando a todos e , principalmente , a nós mesmos. Aí entra , a meu juízo, o problema mais sério de nossa Nação : a Educação.
Não estou falando de simplesmente ensinar a ler e a escrever. Estou falando de uma educação que completa, transforma o indivíduo em pessoa. Que permita o ser humano a exercer com conhecimento de causa, todo o seu direito de cidadania. Mas que também o faça cumprir com os seus deveres.
Nós não somos só, dependemos sim de uma comunidade, dependemos de um Estado para nossa sobrevivência. Mas como deve ser este Estado? Democrático!!! Não tenho dúvida. O que afirmo é que uma democracia representativa jamais será uma democracia de fato. A democracia tem que ser plena. E para isso há que ser participativa. Os três Poderes têm que funcionar harmonicamente, respeitando-se uns aos outros. Mas , também, o poder Judiciário deve ser eleito pelo povo, pois da maneira que está - embora legal - é um equívoco a manchar a plenitude democrática.
E é por isso tudo que a educação é muito importante. Como pode haver uma democracia plena com tantos analfabetos funcionais? A escola não pode estar apenas preocupada com estatística, ela tem de atuar com rigor a fim de obter a qualidade necessária do ensino para a formação do cidadão.
A igualdade plena entre os cidadãos, só poderá ser obtida através do conhecimento. Os mais intelectualizados - quando desonestos - tendem a enganar seus semelhantes, e isto não deixa de ser uma forma de violência. A meu ver, a pior delas; pois a vítima não tem como se defender de uma forma de engano travestido de legalidade.Os fatos políticos e escândalos estão aí para todos verem. A imprensa dificilmente passa um dia sem noticiar um caso de corrupção. As barganhas políticas, o interesse próprio ou de grupos, têm-se constituído no principal foco dos partidos e de seus correligionários. Como se safar de uma democracia tão aviltada?
Entendo que isso só pode ser feito pela participação direta de todos os cidadãos. Mas para que tenhamos cidadãos com formação adequada para o exercício da cidadania plena, é preciso investir muito na educação. Portanto, é coerente, justa e necessária a prática política de "uma nota só": Educação, educação, educação.........
"Instrua o menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele." (Provérbios 22.6)