O artigo de Wasghinton Novaes , no jornal o Estado de São Paulo, de 19out2012, folha A2 , com o título de "As coisas Indiscritíveis do Mundo do Consumo" , demonstra realmente - a meu juízo - o absurdo do caminhar da humanidade.
Cita ele, neste artigo , a afirmação do psicanalista Leopoldo Nosek, à Sonia Rasi ( Estadão 7/10) que diz : " Quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se os monstros.".
O artigo que de forma brilhante demonstra o caminhar emburrecido da sociedade globalizada, fez-me pensar em como chegamos ao nosso hoje e no horizonte do amanhã, nem um pouco azul.
Historiadores e sociólogos , de forma muito competente já registraram e comentaram o desenvolvimento da humanidade. Muito se discutiu sobre o crescimento desiquilibrado em todas as partes do mundo. E , a meu ver , muitos desses estudiosos apontaram com maestria os problemas advindos e os que ainda poderão advir, neste caminhar emburrecido.
E instigado pelo citado artigo, refletindo sobre o nosso quintal , quero expor algumas considerações sobre : " quando o velho não existe mais e o novo ainda não se estruturou, criam-se monstros."
Sem nos atermos aos clássicos : História da Riqueza do Homem e Raízes do Brasil, dos autores Leo Huberman e Sergio Buarque de Holanda, respectivamente, prefiro citar fatos ocorridos em um passado nem tão distante.
Contava meu pai , um acontecimento na cidade de Avaré, interior do Estado de São Paulo, por volta dos anos quarenta do século passado , que confirma o desaparecimento de uma prática em nosso País e o surgimento de um monstro que até hoje nos assola.
Dizia ele que na cidade havia vários lavradores, que sendo proprietários de pequenos sítios ou "meeiros" em terras de outros, tinham o hábito de plantar tudo de que necessitavam, praticando a agricultura de subsistência e plantando lavouras maiores para comercializar. Assim, alguns sitiantes - como era o caso de meu padrinho - que tinham box no Mecado Municipal , onde comercializavam seus produtos, viviam de forma confortável com seus familiares.
Após a revolução de 1930 , com a tomada do poder por Getúlio Vargas, foi instituída lei proibindo essa venda direta. Diziam ser necessário para arrecadação de impostos. Isso criou, para o povo da época , uma situação absurda. Meu padrinho não podia mais levar sua produção para o Mercado Municipal. Era obrigado a vender para o atravessador, e depois , comprar esses produtos dos atacadistas.
Os produtos agrícolas foram terrivelmente encarecidos. Ganharam muito mais os atravessadores que os produtores. Aumentou-se o custo de vida para todos. Obviamente houve resitências, revoltas , perseguições e punições.
Até que o sitema de arrecadação de impostos no Brasil , fosse implantado, era um "monstro não estruturado". Hoje - como vemos - para a nossa infelicidade, o monstro criado está estruturado e engessando realmente nosso País.
Parece que existe a tentativa de uma reforma tributária e um novo pácto federativo. Aguardemos!!!
Voltando ao consumo desenfreado que a par do sistema tributário e da globalização, foi e é incentivado, aumentando de forma astronômica o problema do lixo no mundo todo, estamos vendo monstros e monstros sendo criados para a tristeza de todo nós.
Será que acordaremos a tempo?
Criando Monstros
Data: 07/12/2012
Autor: Pr Benedito Toledo de Almeida